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“Eu sei que seu ronco também me faria feliz. O ronco, acredita, meu bem? Justo o ronco, que incomoda tanto as relações nos casamentos; para mim se é teu, é lindo. Como teus defeitos, amo-os também. Amo todos, reunidos no que chamo de tua essência perfeita, apenas porque é tua. Não me digas, por exemplo, que essências perfeitas não são dotadas de defeitos, porque aqui a palavra não segue o sentido literal. Digo que és perfeito porque tudo o que lhe faz o faz meu, e és tão meu que chega a ser eu. E não há nada de metafísico ou filosófico nisso, sendo bem simples o entender que, numa esquina fria do mês de maio encontrei teus olhos pela primeira vez e você passou a significar a razão de meus dias. Eu poderia dizer que a razão dos meus sorrisos, mas isso seria injusto, porque sorrisos não são diários e constantes, e quero você sempre. Sempre no sentido de constância, presença e alcance, não de eternidade. Porque que há algo infeliz que nos livra das pessoas que nós amamos e sobre a qual não temos controle.
Sabe o calor, meu amor? Não o do fogo que queima, mas do que aquece. Sabe aquele, todo nosso? Aquele que a gente sente quando carinho do dedão da mão, ou aquele de abraços durante as comédias românticas? Ou aquele do repartir de barras de chocolate e de acalentar a alma no fundo dos olhos? Lembra quando eu dissera que tua mão havia sido desenhada como um encaixe perfeito para entrelaçar nas minhas? E como nossos corpos respondiam ao menor dos toques, como aquele limpar de brigadeiro perdido nos lábios? Lembra do dia em que lhe disse eu te amo a primeira vez e com um sorriso maior que a luz do sol você disse que também me amava? Dos planos que fizemos, dos padrinhos de casamento que escolhemos, das cores das paredes, dos cheiros das flores? E cadê você agora, meu bem? Cadê nosso amor, cadê nossos dias, cadê a presença? Onde está você? Estou no frio de maio outra vez e você não está mais aqui. Por favor, volte. Nenhum cobertor tem cheiro de você. Nenhum agasalho me dá o que preciso. Coração não suporta solidão. Vem estar só e um só comigo?”
De que falo quando sinto frio (via infinitamentefinito)(via infinitamentefinito)
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